sexta-feira, 18 de abril de 2008

Carta para todos que sentem...


Era uma manhã de sol quente e céu azul quando o humilde caixão contendo um corpo sem vida foi baixado à sepultura.
De quem se trata? Quase ninguém sabe.
Muita gente acompanhando o féretro? Não. Apenas umas poucas pessoas.
Ninguém chora. Ninguém sentirá a falta dela. Ninguém para dizer adeus ou até breve.
Logo depois que o corpo desocupou o quarto singelo do asilo, onde aquela mulher havia passado boa parte da sua vida, a moça responsável pela limpeza encontrou em uma gaveta ao lado da cama, algumas anotações.
Eram anotações sobre a dor dessa mulher que partiu...
Era a dor que alguém sentiu por ter sido abandonada pela família num lar para idosos...
Talvez o sofrimento fosse muito maior, mas as palavras só permitem extravasar uma parte desse sentimento, grafado em algumas frases:
Por onde andam meus filhos?
Aquelas crianças ridentes que embalei em meu colo, alimentei com meu leite, cuidei com tanto desvelo...
Devem estar muito ocupadas, talvez, e não podem me visitar...
Ah! Se eles soubessem como sinto saudades...me sinto tão só...
Se ao menos eu pudesse andar... eu iria visita-los...Mas dependo das mãos generosas dessas moças que me levam todos os dias para tomar sol no jardim... Jardim que já conheço como a palma da minha mão.
Tantos dias passaram sem eles poderem vir me ver e abraçar...
Os dias passam... e com eles a esperança se vai...
No começo, a esperança me alimentava, ou eu a alimentava, não sei...
Mas, agora... como esquecer que fui esquecida?
Como engolir esse nó que teima em ficar em minha garganta, dia após dia?
Todas as lágrimas que chorei não foram suficientes para desfaze-lo.
Sinto que o fim se aproxima...
Queria saber dos meus filhos... dos meus netos...
Será que eles ainda se lembram de mim? Devem estar lindos...
A esperança, agora,me parece nublada...
Às vezes, em meus sonhos, vejo um lindo jardim...
É um jardim diferente, que transcende os muros deste albergue e se abre em caminhos floridos que levam a outra realidade, onde braços afetuosos me esperam com amor e alegria...
Mas, quando eu acordo, é a minha realidade que eu vejo... que eu vivo... que eu sinto...me da saudades da minha família...
Um dia alguém me disse que a vida não se acaba num túmulo escuro e silencioso. E esse alguém voltou para provar isso, mesmo depois de ter sido crucificado e sepultado...
E essa é a maior esperança que tenho...
Sinto que a minha hora está chegando...
Depois que eu partir, gostaria que alguém encontrasse essas minhas anotações e as divulgasse.
E que elas pudessem tocar os corações dos filhos que internam seus pais em asilos, e jamais os visitam...
Que eles possam saber um pouco sobre a dor de alguém que sente o que é ser abandonado...

A data assinalada ao final da última anotação, foi a data em que aquela mãe, esquecida e só, partiu para outra realidade.

Obs:

Autora:Desconhecida,mas que deixa muito pra gente pensar...

3 comentários:

Anônimo disse...

Que coisa tão linda e tão triste ao msm tempo, realmente, a gente pára e reflete sempre mais! Bjos* amiga!

Anônimo disse...

Seu blog está cada vez mais interessante.
Te Adoro amiga!
Bjosssssss

Anônimo disse...

N me contive e chorei como a uma criança...mas meu choro foi meio-meio..meio tristeza e meio felicidade.
Tristeza por saber q realmente existem anjos abandonados e esquecidos nos asilos ou até mesmo sendo maltratados n tão muito longe, as vezes na casa do vizinho ou até mesmo dentro do nosso próprio seio familiar.
E finalmente felicidade por saber q meus avós tem 3 netas e 4 bisnetos q a amam demasiadamente e sim, sim, sim...nossa família é uma família feliz...Podemos falar com toda sinceridade que nos amamos e nos cuidamos de verdade.

Que tudo isso sirva de lição pra todos aqueles q precisam...Podemos passar por várias existências mas a chance de sermos felizes ou fazermos outras pessoas felizes pode ser única.